Conteúdo educativo · Dr. Jaime Martins

Blog — Saúde Ocular

Dicas e informações para cuidar da sua visão com confiança. Conteúdo elaborado pelo Dr. Jaime Martins, especialista em catarata e glaucoma há mais de 10 anos.

Glaucoma

O que é Glaucoma? O "ladrão silencioso" da visão

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Apelidado de "ladrão silencioso", ele destrói progressivamente o nervo óptico sem dor, sem manchas na visão central nas fases iniciais. Quando o paciente percebe algo errado, parte do campo visual já se perdeu para sempre.

Como o glaucoma funciona?

O olho produz constantemente um líquido chamado humor aquoso. Quando a drenagem desse líquido é comprometida, a pressão intraocular aumenta. Essa pressão elevada comprime as fibras do nervo óptico — o cabo de fibras que leva a imagem do olho ao cérebro. Com o tempo, o campo visual vai sendo apagado de fora para dentro, como uma moldura se fechando.

Atenção: Nem todo glaucoma apresenta pressão elevada. Existe o glaucoma de tensão normal, em que o nervo é vulnerável mesmo com pressão dentro dos limites considerados normais. Por isso o exame de fundo de olho é insubstituível.

Tipos de glaucoma

  • Glaucoma de ângulo aberto: o mais comum. Evolui silenciosamente por anos sem sintomas.
  • Glaucoma de ângulo fechado: pode ter crises agudas com dor intensa, olho vermelho e visão turva. É emergência médica.
  • Glaucoma de tensão normal: dano ao nervo com pressão dentro da faixa considerada normal.
  • Glaucoma secundário: causado por trauma, inflamação, uso prolongado de corticoides ou outras doenças oculares.
  • Glaucoma congênito: presente desde o nascimento, mais raro.

Quem tem mais risco?

  • Pessoas com parentes de primeiro grau com glaucoma (risco até 6 vezes maior)
  • Maiores de 40 anos
  • Portadores de pressão ocular elevada (acima de 21 mmHg)
  • Portadores de miopia alta
  • Usuários crônicos de corticoides (colírios, comprimidos ou spray nasal)
  • Diabéticos e hipertensos

O glaucoma tem cura?

Não. O dano ao nervo óptico já ocorrido é irreversível. Mas com tratamento adequado e acompanhamento regular é plenamente possível deter a progressão e preservar a visão por toda a vida. Por isso o diagnóstico precoce é absolutamente decisivo.

Catarata

O que é Catarata? Entenda a doença e quando operar

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

Catarata é o embaçamento progressivo do cristalino — a lente natural do olho, posicionada atrás da pupila. Com o envelhecimento, essa lente que nasce transparente vai ficando opaca, como um vidro que embaça com o tempo. O resultado: visão turva, cores apagadas, dificuldade para ler, reconhecer rostos e dirigir à noite.

Por que a catarata aparece?

A causa mais comum é o envelhecimento natural. Acima dos 60 anos, o processo é praticamente universal. Mas a catarata pode aparecer mais cedo por diversas razões:

  • Diabetes mellitus mal controlado
  • Uso prolongado de corticoides (colírios, comprimidos, sprays)
  • Trauma ocular
  • Exposição excessiva à luz ultravioleta ao longo da vida
  • Fatores genéticos (catarata congênita ou familiar)
  • Outras doenças sistêmicas como hipotireoidismo

Quais são os sintomas?

  • Visão turva, como se houvesse um véu ou neblina permanente
  • Cores apagadas ou com tonalidade amarelada
  • Halos ao redor das luzes (especialmente à noite)
  • Dificuldade crescente para dirigir à noite
  • Necessidade de trocar o grau dos óculos com frequência
  • Sensibilidade excessiva à luz (fotofobia)
  • Visão dupla em um dos olhos

Quando operar?

Não existe um limiar numérico fixo — a decisão é sempre clínica e individual. A cirurgia é indicada quando a catarata compromete significativamente a qualidade de vida: dificuldade de ler, de dirigir, de trabalhar, de realizar atividades que exijam visão nítida.

A cirurgia de catarata é hoje uma das mais seguras e bem-sucedidas de toda a medicina. Com a técnica de facoemulsificação (faco), não há cortes grandes, não há pontos e o paciente vai para casa no mesmo dia. A melhora da visão começa a aparecer já nas primeiras horas após o procedimento.

Catarata tem tratamento sem cirurgia?

Não. Colírios, vitaminas e exercícios não revertem a catarata. Quando a opacificação do cristalino está afetando a qualidade de vida, a cirurgia é o único tratamento definitivo e eficaz disponível.

Glaucoma · Laser

Laser SLT para Glaucoma: a alternativa eficaz aos colírios

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

O Laser SLT (Trabeculoplastia Seletiva a Laser) é um dos avanços mais relevantes no tratamento do glaucoma. Ele permite reduzir a pressão intraocular sem cirurgia, sem internação e sem dor — em muitos casos substituindo completamente os colírios hipotensores.

Como funciona o SLT?

O laser age seletivamente sobre as células melanossômicas da malha trabecular, disparando um mecanismo de remodelação biológica que melhora o escoamento do humor aquoso e reduz a pressão. É chamado "seletivo" porque não destrói o tecido como os lasers mais antigos — age apenas nas células pigmentadas, preservando as demais estruturas.

Como é realizado?

O procedimento é feito no consultório, com anestesia em colírio (gotas). Uma lente de contato especial é apoiada sobre o olho e o laser é aplicado em série de pulsos ao longo do ângulo camerular. Em geral dura menos de 10 minutos e o paciente retorna às atividades normais no mesmo dia.

Resultados esperados

  • Redução média de 25 a 35% da pressão intraocular
  • Efeito que pode durar de 2 a 5 anos ou mais
  • Pode ser repetido caso o efeito se reduza com o tempo
  • Pode ser usado como primeiro tratamento (antes dos colírios) ou em adição a eles

Um grande estudo europeu (LiGHT Trial, 2019) demonstrou que o SLT como primeiro tratamento do glaucoma de ângulo aberto é tão eficaz quanto colírios de primeira linha — com a vantagem de não exigir a disciplina diária de uso e sem os efeitos colaterais dos medicamentos.

Quem pode fazer o SLT?

O SLT é indicado para pacientes com glaucoma de ângulo aberto ou hipertensão ocular. Não é adequado para glaucoma de ângulo fechado. A seleção do candidato ideal é feita após exame completo com gonioscopia.

Glaucoma · MIGS

iStent inject: o menor implante do corpo humano contra o glaucoma

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

O iStent inject é o menor dispositivo médico já aprovado para implante no corpo humano — menor que um grão de arroz. Feito de titânio biocompatível, ele é inserido diretamente na malha trabecular para criar uma via de drenagem permanente do humor aquoso, reduzindo a pressão intraocular com risco mínimo.

Como funciona?

O implante cria um bypass entre a câmara anterior do olho e o Canal de Schlemm, melhorando diretamente o escoamento do líquido responsável pela pressão ocular. O iStent inject (versão W) inclui dois microstents posicionados em ângulos diferentes para maximizar o acesso ao sistema coletor do olho.

Como é realizado?

A cirurgia é realizada com anestesia local, em regime ambulatorial. O implante é frequentemente combinado com a cirurgia de catarata — aproveitando o mesmo acesso cirúrgico — sem nenhum tempo cirúrgico adicional relevante para o paciente. Quando realizado isoladamente, o procedimento dura cerca de 15 minutos.

Vantagens do iStent

  • Incisão mínima — o mesmo acesso da cirurgia de catarata
  • Sem corte externo, sem suturas, sem bleb (bolha) conjuntival
  • Recuperação muito rápida, similar à catarata isolada
  • Redução significativa dos colírios no pós-operatório
  • Pode ser combinado com outras técnicas MIGS no mesmo ato cirúrgico

O iStent é especialmente indicado para pacientes com glaucoma leve a moderado que já precisam operar a catarata. Uma única cirurgia resolve as duas condições simultaneamente, com segurança comprovada em estudos de longa duração.

Para quem é indicado?

Pacientes com glaucoma de ângulo aberto leve a moderado, especialmente quando há catarata associada que também precisa de tratamento. A seleção criteriosa do candidato é fundamental para um bom resultado.

Glaucoma · MIGS

Preserflo MicroShunt: drenagem eficaz com perfil de segurança superior

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

O Preserflo MicroShunt (anteriormente conhecido como InnFocus MicroShunt) é um dos dispositivos de drenagem mais avançados disponíveis para o tratamento cirúrgico do glaucoma. Feito de SIBS (poli estireno-bloco-isobutileno-bloco-estireno), um material altamente biocompatível, o Preserflo cria uma via de drenagem do humor aquoso para o espaço subconjuntival com mínima reação inflamatória.

O que diferencia o Preserflo dos outros implantes?

Ao contrário das cirurgias MIGS internas (como o iStent), o Preserflo drena o líquido para fora do olho, em direção ao espaço subconjuntival — mecanismo semelhante à trabeculectomia tradicional, porém com incisão muito menor e sem necessidade de criar um retalho escleral. O resultado é uma redução pressórica mais intensa, com perfil de segurança superior à trabeculectomia clássica.

Para quem é indicado?

  • Glaucoma moderado a avançado não controlado com colírios
  • Pacientes que falharam com tratamento medicamentoso
  • Como alternativa à trabeculectomia em casos selecionados
  • Pacientes sem catarata associada (quando a combinação com faco não é necessária)

Como é a cirurgia?

O procedimento é realizado sob anestesia local, em regime ambulatorial. O microstent é inserido através de uma pequena incisão na esclera, atravessando a câmara anterior e permitindo o fluxo controlado do humor aquoso para baixo da conjuntiva, onde é absorvido. A cirurgia dura aproximadamente 20 a 30 minutos.

Estudos clínicos comparativos mostram que o Preserflo MicroShunt apresenta eficácia similar à trabeculectomia na redução da pressão ocular, com menor incidência de complicações pós-operatórias graves como hipotonia e câmara rasa.

Glaucoma · MIGS

XEN45: o gel stent que drena o glaucoma por dentro

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

O XEN45 Gel Stent (Allergan/AbbVie) é um microstent de gelatina porcina modificada que cria um canal permanente de drenagem do humor aquoso para o espaço subconjuntival — sem necessidade de flap escleral. É inserido de dentro para fora do olho, através de uma incisão corneana, com mínima manipulação conjuntival.

Como funciona o XEN45?

O stent de 6mm de comprimento e 45 micrômetros de lúmen interno é implantado com um injetor dedicado através da câmara anterior. Ele atravessa o ângulo iridocorneano e a esclera, posicionando sua extremidade distal no espaço subconjuntival para criar uma via de drenagem controlada e de baixa resistência.

Vantagens do XEN45

  • Cirurgia ab interno — sem incisão conjuntival externa
  • Menor tempo cirúrgico comparado à trabeculectomia
  • Recuperação mais rápida com menos restrições pós-operatórias
  • Possibilidade de revisão com agulhamento em consultório se necessário
  • Pode ser combinado com cirurgia de catarata

O XEN45 é uma excelente opção para pacientes com glaucoma moderado a avançado que não controlam a pressão apenas com medicamentos, mas que buscam uma alternativa com recuperação mais previsível que a trabeculectomia tradicional.

Pós-operatório e acompanhamento

O pós-operatório do XEN exige atenção ao desenvolvimento da bolha de filtração subconjuntival. Em alguns casos, pode ser necessário injetar antimetabólito (mitomicina-C) no momento cirúrgico para evitar fibrose e perda do efeito hipotensor. O acompanhamento próximo nas primeiras semanas é fundamental.

Glaucoma · MIGS

GATT: trabeculotomia guiada por goniotomia com fio sutura

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

O GATT (Gonioscopy-Assisted Transluminal Trabeculotomy) é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva que remove a resistência à drenagem do humor aquoso de forma mais abrangente que os microstents — abrindo 360° da malha trabecular com um único fio de sutura guiado por gonioscopia.

Como funciona o GATT?

Através de uma incisão corneana, um microcateter ou fio de sutura iluminado é introduzido no Canal de Schlemm. Esse fio percorre os 360° do canal e, ao ser tracionado, rompe toda a malha trabecular de uma só vez — criando uma abertura circunferencial completa para a drenagem. É uma trabeculotomia total, realizada sem nenhuma incisão externa.

Quando o GATT é indicado?

  • Glaucoma de ângulo aberto com pressão não controlada
  • Glaucoma juvenile (pacientes jovens)
  • Glaucoma por síndrome de pseudoesfoliação
  • Como alternativa ou complemento a outros procedimentos MIGS
  • Pacientes que falharam com implantes isolados

O GATT apresenta resultados hipotensores superiores aos microstents individuais em muitos estudos, com redução pressórica de 30 a 50% em pacientes selecionados. É uma das técnicas que mais cresce entre os especialistas em glaucoma no mundo.

Perfil de segurança

Por ser uma técnica ab interno (sem incisão conjuntival), o GATT preserva a conjuntiva para procedimentos futuros se necessário — uma vantagem importante em pacientes jovens que podem precisar de cirurgias adicionais ao longo da vida.

Glaucoma · MIGS

Kahook Dual Blade: goniotomia precisa para glaucoma

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

O Kahook Dual Blade (KDB) é um instrumento de goniotomia de precisão que remove um segmento da malha trabecular de forma controlada, criando uma comunicação direta entre a câmara anterior e o Canal de Schlemm. É uma das técnicas MIGS mais eficazes para redução sustentada da pressão intraocular.

O que diferencia o KDB de outras técnicas?

Enquanto outros instrumentos cortam ou perfuram a malha trabecular de forma irregular, o Kahook Dual Blade possui dois gumes paralelos que excisam uma faixa uniforme de tecido — reduzindo a chance de cicatrização e obstrução tardia do canal. A remoção tecidual é mais completa e previsível.

Indicações do Kahook Dual Blade

  • Glaucoma de ângulo aberto leve a moderado
  • Glaucoma por síndrome de pseudoesfoliação
  • Pode ser combinado com cirurgia de catarata
  • Alternativa quando o iStent não é suficiente
  • Pode ser realizado em combinação com o GATT no mesmo ato cirúrgico

O KDB e o GATT podem ser realizados em combinação no mesmo procedimento, ampliando a goniotomia e potencializando o resultado hipotensor — uma estratégia cada vez mais usada em pacientes com glaucoma moderado que precisam de redução pressórica mais intensa.

Como é o pós-operatório?

A recuperação é similar à de outras técnicas MIGS — rápida, com restrições mínimas. Pode ocorrer sangramento transitório na câmara anterior (hipema) nas primeiras 24 a 48 horas, que se resolve espontaneamente na grande maioria dos casos.

Catarata · Lentes

Lentes Premium para Catarata: multifocal, EDOF ou tórica — qual é a certa para você?

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

A cirurgia de catarata não é só sobre remover a opacidade — é uma oportunidade única de reduzir ou eliminar a dependência dos óculos. Com as lentes intraoculares (LIOs) premium, muitos pacientes ficam sem óculos para a maioria das atividades após a cirurgia. Mas a escolha da lente certa exige uma avaliação personalizada.

Lente Monofocal: o padrão

A lente monofocal é a opção básica — geralmente coberta pelos planos de saúde. Ela corrige apenas uma distância focal (normalmente longe). O paciente precisará de óculos para leitura e visão intermediária. É uma excelente opção para quem não tem expectativa de ficar sem óculos ou para casos clínicos que não indicam lentes premium.

Lente EDOF: foco estendido

As lentes EDOF (Extended Depth of Focus) oferecem uma faixa de visão nítida que vai do longe ao intermediário, com mínima perda de contraste. São ideais para quem usa muito computador, lê em dispositivos digitais e precisa de boa visão para atividades ao ar livre. Os halos noturnos são menores que nas multifocais.

Lente Multifocal: liberdade total dos óculos

As lentes multifocais dividem a luz em diferentes focos — longe, intermediário e perto — permitindo que a grande maioria dos pacientes fique completamente sem óculos. A desvantagem é maior sensibilidade a halos e brilhos noturnos, especialmente nos primeiros meses após a cirurgia.

Lente Tórica: correção do astigmatismo

Pacientes com astigmatismo corneal significativo podem se beneficiar das lentes tóricas — sejam monofocais, EDOF ou multifocais. Elas neutralizam o astigmatismo previamente existente, melhorando significativamente a nitidez da visão sem óculos.

A escolha da lente ideal depende do estilo de vida, das expectativas e das características clínicas do olho de cada paciente. Olhos com doenças associadas — como degeneração macular, glaucoma avançado ou córnea irregular — geralmente são melhor atendidos com lentes monofocais. A avaliação pré-operatória cuidadosa é indispensável.

Catarata · Pós-Op

Pós-operatório de catarata: o que esperar semana a semana

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

A cirurgia de catarata por facoemulsificação tem uma das melhores curvas de recuperação de toda a medicina. A maioria dos pacientes já enxerga significativamente melhor no dia seguinte. Mas entender o que é normal em cada fase ajuda a atravessar o pós-operatório com mais tranquilidade.

Nas primeiras 24 horas

O olho ficará com uma proteção (curativo oclusivo) que é retirado no retorno do dia seguinte. É normal sentir leve ardência, lacrimejamento e visão levemente turva ou com um halo de luz. Evite esfregar o olho, molhá-lo e fazer esforços físicos.

Na primeira semana

A visão melhora progressivamente e de forma bastante rápida. Colírios antibiótico e anti-inflamatório precisam ser usados rigorosamente nos horários prescritos. Evite piscina, mar, sauna e ambientes com muito pó. Atividades leves no escritório podem ser retomadas a partir do 2º ou 3º dia na maioria dos casos.

No primeiro mês

A visão continua se estabilizando. Pequenas oscilações de foco são normais durante esse período, especialmente ao anoitecer. Os colírios vão sendo reduzidos progressivamente conforme orientação médica. Ao final do primeiro mês, a maioria dos pacientes já está com visão estável.

O que evitar no pós-operatório

  • Esfregar ou pressionar o olho operado
  • Banho de piscina ou mar por pelo menos 30 dias
  • Esportes de contato ou atividades com risco de trauma ocular
  • Maquiagem na região dos olhos (no mínimo 2 semanas)
  • Ambientes com muita poeira, fumaça ou vento forte sem óculos de proteção

Quando procurar o médico imediatamente: se notar dor intensa, queda súbita da visão, vermelhidão intensa, sensação de véu ou sombra nova, ou secreção purulenta. Esses são sinais que precisam de avaliação urgente.

Óculos depois da cirurgia

Com lentes monofocais, a maioria precisa de óculos para perto. Com lentes multifocais ou EDOF, muitos ficam sem óculos para a maior parte das atividades. A prescrição final é feita após a visão se estabilizar — geralmente entre 4 e 6 semanas após a cirurgia.

Glaucoma · Prevenção

Glaucoma tem herança genética: sua família precisa ser testada

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

O fator de risco mais subestimado para o glaucoma é o familiar. Ter um pai, mãe, irmão ou irmã com glaucoma eleva o risco individual de desenvolver a doença em 3 a 6 vezes — e na maioria das famílias, esse risco é completamente ignorado até que alguém perde visão.

Por que o glaucoma é hereditário?

Múltiplos genes influenciam a forma e a drenagem do ângulo iridocorneano, a resistência do nervo óptico à pressão e a anatomia do disco óptico. O glaucoma de ângulo aberto primário tem padrão de herança autossômico dominante com penetrância variável — ou seja, não herda de forma previsível, mas o risco aumenta muito entre parentes.

Quem da família deve fazer exame?

Todos os parentes de primeiro grau (pais, filhos, irmãos) de quem tem glaucoma diagnosticado devem ser avaliados, independentemente da idade ou da ausência de sintomas. O ideal é iniciar o acompanhamento a partir dos 40 anos — ou antes, se houver outros fatores de risco.

Que exames são necessários?

  • Tonometria: medida da pressão intraocular
  • Fundoscopia (fundo de olho): avaliação do disco óptico
  • OCT de nervo óptico: análise da espessura das fibras nervosas
  • Campimetria computadorizada: mapeamento do campo visual
  • Gonioscopia: avaliação do ângulo de drenagem

O glaucoma detectado antes de qualquer perda visual é tratado com sucesso em praticamente 100% dos casos. Detectado na fase de cegueira, não há o que recuperar. A triagem familiar é a forma mais eficaz de prevenção disponível.

Se você tem glaucoma, converse com seus familiares e incentive a avaliação. Um exame oftalmológico completo pode salvar a visão de alguém que você ama.

Glaucoma · Diagnóstico

Pressão ocular alta: o que significa e quando tratar

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

"Sua pressão do olho está alta" — essa frase deixa muita gente preocupada no consultório. Mas o que significa exatamente? E quando é necessário tratar?

O que é pressão ocular?

A pressão intraocular (PIO) é determinada pelo equilíbrio entre a produção e a drenagem do humor aquoso — um líquido claro produzido dentro do olho. A faixa considerada normal é entre 10 e 21 mmHg. Valores acima de 21 mmHg são denominados hipertensão ocular.

Pressão alta = glaucoma?

Não necessariamente. Hipertensão ocular e glaucoma são condições diferentes. A hipertensão ocular é um fator de risco para o glaucoma, mas apenas uma parcela dos hipertensos oculares desenvolve a doença. Por outro lado, existem glaucomas com pressão completamente normal (glaucoma de tensão normal).

Quando a pressão alta precisa ser tratada?

A decisão de tratar ou apenas monitorar depende de vários fatores:

  • Nível da pressão (quanto acima de 21 mmHg)
  • Espessura central da córnea (córneas finas = maior risco)
  • Aspecto do disco óptico e OCT das fibras nervosas
  • Presença de outros fatores de risco (histórico familiar, miopia alta)
  • Campo visual e seu comportamento ao longo do tempo

O Ocular Hypertension Treatment Study (OHTS) demonstrou que tratar a hipertensão ocular reduz em 50% o risco de desenvolvimento de glaucoma em 5 anos. Mas nem todo hipertenso ocular precisa de tratamento — a decisão é sempre individual, baseada no risco calculado de cada paciente.

Como a pressão é medida?

O método padrão é a tonometria de aplanação de Goldmann, realizada na lâmpada de fenda com anestesia em colírio. Existe também a tonometria de rebote (iCare), não-contacto e outros métodos. Todos têm vantagens e limitações que o especialista considera na interpretação do resultado.

Catarata

Catarata tem tratamento sem cirurgia? A verdade sobre colírios e suplementos

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

Uma das perguntas mais comuns que recebo no consultório: "Doutor, não tem um colírio que dissolve a catarata? Precisa mesmo operar?" A resposta direta é: não existe, até hoje, nenhum tratamento não-cirúrgico comprovado para reverter a catarata.

Por que não há colírio para catarata?

A catarata é causada pela desnaturação e agregação das proteínas do cristalino (principalmente as cristalinas), que perdem sua estrutura organizada e começam a bloquear a passagem de luz. Esse processo é essencialmente irreversível com qualquer molécula disponível hoje.

E os suplementos vitamínicos?

Antioxidantes como vitamina C, vitamina E, luteína e zeaxantina têm evidência para retardar a progressão da degeneração macular, mas não existe evidência científica robusta de que retardam ou revertem a catarata. Eles podem fazer parte de um estilo de vida saudável, mas não são tratamento para catarata estabelecida.

E o lanosterol? E o N-acetilcarnosina?

Estudos em laboratório e em animais (cães, em especial) mostraram que o lanosterol poderia dissolver parcialmente agregados proteicos do cristalino. Isso gerou expectativa, mas os estudos em humanos ainda são escassos e inconclusivos. Nenhum colírio baseado em lanosterol tem aprovação regulatória para uso em catarata humana no Brasil ou no mundo até o momento.

A catarata que compromete a qualidade de vida tem apenas um tratamento eficaz e seguro: a cirurgia. Adiar sem razão só permite que a catarata amadureça mais, tornando a cirurgia tecnicamente mais difícil. Quando a visão está incomodando, é hora de avaliar.

A cirurgia é assustadora?

Menos do que parece. Com anestesia em colírio, sem agulhas, sem pontos, em 15 a 20 minutos, a cirurgia de catarata tem índices de satisfação entre os mais altos de toda a medicina. O medo é compreensível, mas raramente corresponde à realidade da experiência cirúrgica moderna.

Glaucoma · Tratamento

Guia completo dos colírios para glaucoma: como funcionam e como usar corretamente

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

Os colírios hipotensores são a primeira linha de tratamento para a maioria dos glaucomas. Entender como cada classe funciona, seus efeitos colaterais e como usá-los corretamente é fundamental para que o tratamento tenha sucesso.

Principais classes de colírios

Análogos de prostaglandinas (latanoprosta, bimatoprosta, travoprosta, tafluprost): são os mais eficazes — reduzem a pressão em 25 a 35%. Usados uma vez ao dia, à noite. Efeitos colaterais: escurecimento da íris, crescimento dos cílios, vermelhidão conjuntival transitória.

Beta-bloqueadores (timolol, betaxolol): segunda opção mais usada. Reduzem a produção de humor aquoso. Contraindicados em pacientes com asma, DPOC e bloqueio cardíaco. Podem causar bradicardia e fadiga.

Inibidores da anidrase carbônica (dorzolamida, brinzolamida): reduzem a produção de humor aquoso. Podem causar ardência e sabor amargo na boca.

Alfa-agonistas (brimonidina): reduzem produção e aumentam drenagem. Podem causar sonolência, boca seca e reação alérgica em alguns pacientes.

Inibidores de Rho quinase (netarsudil): classe mais nova, aumenta drenagem trabecular. Pode causar vermelhidão e depósitos corneais.

Como usar corretamente

  • Sempre lavar as mãos antes de aplicar
  • Puxar levemente a pálpebra inferior, olhar para cima e pingar sem tocar o olho
  • Fechar o olho por 2 a 3 minutos após a aplicação (aumenta absorção, reduz efeitos sistêmicos)
  • Ocluir o canto interno do olho (ponto lacrimal) com o dedo para minimizar absorção nasal
  • Se usar mais de um colírio, aguardar 5 minutos entre as aplicações

Aderência é o maior desafio do tratamento do glaucoma. Estudos mostram que até 40% dos pacientes não usam os colírios conforme prescrito. Como o glaucoma não dói, é fácil esquecer. Mas cada dose pulada pode significar progressão do dano ao nervo óptico.

Posso parar os colírios se a pressão normalizar?

Não. Se a pressão normalizou, é porque o colírio está funcionando. Suspendê-lo fará a pressão subir novamente. A única forma de reduzir ou eliminar colírios de forma permanente é com tratamento a laser (SLT) ou cirúrgico, avaliado individualmente pelo especialista.

Catarata · Glaucoma

Catarata e Glaucoma juntos: a cirurgia combinada que trata as duas doenças de uma vez

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

É muito comum que um paciente com glaucoma também desenvolva catarata — ou vice-versa. Quando as duas condições estão presentes e ambas precisam de tratamento, a cirurgia combinada é frequentemente a melhor estratégia: uma única anestesia, uma única internação, uma única recuperação.

Como funciona a cirurgia combinada?

O procedimento mais comum combina a facoemulsificação (cirurgia de catarata com implante de LIO) com uma técnica MIGS — geralmente iStent, Kahook Dual Blade ou GATT. O acesso cirúrgico é o mesmo da catarata, e o implante para o glaucoma é feito através das mesmas incisões corneanas.

Vantagens da cirurgia combinada

  • Uma única anestesia e recuperação para duas doenças
  • Redução pressórica adicional ao efeito hipotensor da própria catarata
  • Possibilidade de reduzir ou eliminar colírios após a cirurgia
  • Menor custo global comparado a duas cirurgias separadas
  • A remoção da catarata por si só pode reduzir a pressão em 2 a 4 mmHg no ângulo fechado

A remoção do cristalino espessado abre mecanicamente o ângulo iridocorneano, contribuindo diretamente para a redução da pressão — especialmente em glaucomas de ângulo estreito ou fechado. Em alguns casos, a cirurgia de catarata isolada já é suficiente para controlar o glaucoma.

Quem se beneficia mais?

Pacientes com glaucoma leve a moderado não controlado com medicamentos, que também têm catarata com indicação cirúrgica. A seleção do procedimento ideal — qual MIGS combinar com a faco — depende do tipo e estágio do glaucoma, das metas de pressão e das características anatômicas de cada olho.

Glaucoma

Vou cegar por causa do glaucoma? A resposta honesta que todo paciente merece ouvir

Por Dr. Jaime Martins · Oftalmologista · Natal/RN

É a pergunta que mais ouço no consultório — e que mais pesa nos olhos de quem acaba de receber o diagnóstico. A resposta precisa ser honesta, porque o glaucoma é uma doença séria. Mas também precisa ser completa, porque o prognóstico com tratamento adequado é muito diferente do sem tratamento.

A resposta curta

Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a grande maioria das pessoas com glaucoma não chega à cegueira. O tratamento moderno — colírios, laser ou cirurgia — é altamente eficaz para estabilizar a doença e preservar a visão funcional por décadas.

Mas o glaucoma avançado causa cegueira?

Sim. O glaucoma diagnosticado tardiamente, não tratado ou com tratamento inadequado é a segunda maior causa de cegueira irreversível no mundo. Em países com acesso limitado à saúde, essa é uma realidade. No Brasil, a situação melhora a cada ano — mas ainda existem muitas pessoas perdendo visão por glaucoma não diagnosticado.

O que determina o prognóstico?

  • Estágio no diagnóstico: detectado cedo, a visão pode ser preservada indefinidamente
  • Aderência ao tratamento: usar os colírios ou fazer o acompanhamento regularmente é fundamental
  • Controle da pressão-alvo: cada paciente tem uma meta de pressão individual — atingi-la e mantê-la é o objetivo do tratamento
  • Velocidade de progressão: alguns glaucomas progridem lentamente por décadas; outros, mais agressivamente
  • Frequência dos retornos: o acompanhamento regular com campimetria e OCT permite detectar progressão precoce e ajustar o tratamento antes que haja impacto na qualidade de vida

A mensagem mais importante: glaucoma não é sentença de cegueira. É uma doença crônica, como hipertensão arterial — que bem controlada, permite viver com qualidade por toda a vida. O diagnóstico abre a porta para o tratamento. O descaso fecha a porta para sempre.

Se você acabou de ser diagnosticado, saiba que está no caminho certo. O próximo passo é entender sua doença, seguir o tratamento com rigor e manter o acompanhamento regular. Estou aqui para cada etapa desse caminho.